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segunda-feira, 22 de agosto de 2011


O que era “um vaso de alabastro”?
Jesus Cristo foi ungido em duas ocasiões com óleo perfumado. Uma vez aconteceu na casa de certo fariseu, na Galiléia (Luc. 7:37, 38), e outra vez no lar de Simão, o leproso, em Betânia. (Mat. 26:6, 7; Mar. 14:3) Em cada caso, o óleo caro foi derramado dum vaso de alabastro.

Esses pequenos vasos de perfume em forma de frascos eram originalmente feitos duma pedra encontrada perto de Alabastron, no Egito. A própria pedra é uma forma de carbonato de cálcio (não devendo ser confundido com o alabastro moderno, sulfato de cálcio hidratado). Usualmente, o alabastro original é branco, mas às vezes contém traços de outras cores, visto que é uma formação de estalagmite.

Apresenta-se aqui um antigo frasco helenístico de alabastro, do Egito. As mulheres que ungiram Jesus nessas ocasiões mencionadas tinham cada uma “um vaso de alabastro” com um caro óleo perfumado. Esses vasos podem ter sido bem similares ao acima, que leva a inscrição “cinamomo” (canela).
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Existe Defesa Para Judas Iscariotes?Num discurso proferido perante um grupo duma igreja protestante, nas celebrações da Páscoa de 1977, certo professor suíço falou em defesa da traição cometida por Judas Iscariotes contra Jesus. Disse que uma traição pode ser “prejudicial” ou “saudável”, e afirmou que o ato de traição de Judas fora “saudável”, porque colocara “em movimento as rodas da salvação”. Na opinião daquele professor, Judas “deveria ser liberado do papel de bode expiatório”.

Similarmente, no século 18, o escritor João Wolfgang von Goethe, da Alemanha, teorizou que Judas agira com fé, de modo a obrigar Jesus a fazer-se valer contra os regentes romanos e a reivindicar sua posição correta como rei dos judeus. Afirmou que a relutância de Jesus em aproveitar a oportunidade que lhe foi apresentada por Judas motivou o resultado negativo da traição.

Outros afirmam que Judas não pode ser corretamente condenado por cumprir o que predisseram as inspiradas Escrituras Hebraicas. (Sal. 41:9; 55:12, 13; 69:25; 109:8; Atos 1:16-20) Estaríamos justificados em defender Judas?

Antes de escolher seus 12 apóstolos, Jesus “continuou a noite inteira em oração a Deus”. (Luc. 6:12, 13) As posições responsáveis do apostolado, logicamente, não deveriam ser confiadas a homens iníquos ou aos fracos na fé. Por isso, a escolha de Judas como um dos 12 indicaria que tanto Deus como Jesus o encaravam de modo favorável nessa ocasião. Ademais, foi-lhe confiado o cuidado das finanças comuns de Jesus e dos 12. Isso indica a confiabilidade dele, naquela época, em especial visto que Mateus, tendo experiência em lidar com dinheiro e com números, não recebeu tal designação. — Mat. 10:3; João 12:6.

Mas não indicaria João 6:64 que Judas já era infiel desde o tempo em que Jesus o escolheu como um dos 12 apóstolos? Esse versículo declara: “Jesus sabia desde o princípio . . . quem era o que o havia de trair.” No entanto, a Bíblia também descreve o Diabo como pecaminoso “desde o princípio”. (1 João 3:8) No caso deste último, isso não significava desde sua criação, como filho fiel de Deus, mas desde o princípio de seu proceder de rebelião contra Deus. Similarmente, no caso de Judas Iscariotes, Jesus sabia “desde o princípio”, ou desde que Judas iniciou seu proceder errado, que Judas era aquele que o trairia. Isto passou despercebido dos outros, pois lembramos que, pouco antes da traição, os 11 apóstolos fiéis ainda não tinham reconhecido Judas como traidor em potencial. — João 13:27-30.

Judas se dirigiu aos principais sacerdotes e ofereceu-se a entregar-lhes Jesus por 30 moedas de prata. Quando os sacerdotes concordaram com isto, Judas “começou assim a buscar um modo de traí-lo convenientemente”. (Mat. 26:15; Mar. 14:10, 11) Assim, a traição foi adrede planejada e foi um ato deliberado, não um ato cometido impulsivamente, num momento de fraqueza. Lucas 22:3 afirma que “Satanás entrou em Judas”, provavelmente no sentido de que o apóstolo traidor sucumbiu à vontade do Diabo, permitindo ser usado como instrumento de Satanás. Ao passo que a traição predita ajudou a identificar o verdadeiro Messias, não foi necessária para colocar “em movimento as rodas da salvação”. A salvação do homem dependia de o sangue de Jesus ser derramado, e não de ele ser traído.

Judas mais tarde conscientizou-se do que havia feito e, depois de tentar, sem êxito, devolver as 30 moedas de prata que recebera por trair Jesus, lançou-as no templo, e cometeu suicídio. Caso Judas tivesse agido fielmente, na esperança de realizar o bem, permitir-se-ia ser pago por seus serviços? Quando dava instruções aos 12, Jesus sublinhou o princípio de se fazer o bem sem esperar qualquer recompensa financeira, dizendo: “De graça recebestes, de graça dai.” (Mat. 10:8) Também, dificilmente é provável que alguém convicto de ter feito algo saudável se matasse. Com efeito, Judas até mesmo admitiu aos principais sacerdotes: “Pequei quando traí sangue justo.” — Mat. 27:1-5.

O professor suíço, mencionado no início deste artigo, prosseguiu minimizando a seriedade do ato de Judas, afirmando que, em realidade, os outros apóstolos não eram melhores do que ele. Afirmou que eles, também, eram traidores, porque traíram a religião judaica para se tornarem cristãos. É verdade isto?

Os apóstolos eram judeus, nascidos sob a lei mosaica e estavam sob a obrigação de guardá-la. Em tempo algum Jesus desconsiderou a Lei. Disse ele: “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas. Não vim destruir, mas cumprir.” (Mat. 5:17) Depois da morte e ressurreição de Jesus, terminaria a obrigação de os judeus guardarem a lei mosaica. (Col. 2:13, 14) Os apóstolos não traíram a verdadeira religião que Deus forneceu a Israel; simplesmente se empenharam em manter-se em dia com o conhecimento progressivo.

Judas, por outro lado, deveras mostrou desrespeito pela lei de Moisés. A lei certamente não justificava que ele fosse ladrão. Nem sancionava sua cobiça, sua aceitação dum suborno ou de ele trair um inocente. (Êxo. 20:15-17; Deu. 27:25) Assim, era Judas, e não os outros apóstolos, que era traidor — mesmo para com a lei judaica.

A Bíblia não nos supre todos os pormenores quanto ao que se passava na mente de Judas. Alguns afirmam que talvez entretivesse aspirações políticas e ficasse desapontado por Jesus não ter estabelecido um reino terrestre em que ele, Judas, pudesse ter papel destacado. Seja como for, o egoísmo e a cobiça devem ter estado envolvidos, de alguma forma. Isto é indicado pelo ocorrido dois dias antes da morte de Jesus. Naquela ocasião, Maria, irmã de Lázaro, ungiu Jesus com óleo perfumado no valor de 300 denários, cerca do salário de um ano dum trabalhador. (Mat. 20:2) Judas objetou fortemente que o óleo poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres. “Ele disse isso, porém”, declara o Evangelho de João, “não porque estivesse preocupado com os pobres, mas porque era ladrão e tinha a caixa de dinheiro e costumava retirar dinheiro posto nela”. — João 12:2-6.

A personalidade de Judas, segundo revelada na Bíblia, mostra que deixou de ser um servo fiel de Deus e se transformou num hipócrita egoísta, cobiçoso e enganoso. Não é de admirar que Jesus, na noite final de sua vida terrestre, dissesse sobre Judas: “Teria sido melhor para este homem, se não tivesse nascido.” (Mar. 14:21) Segundo a Bíblia, não existe defesa alguma para Judas Iscariotes.

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